16 setembro 2010

A construção do saber.

É interessante como o pensamento caminha ao pronunciamento, através da linguagem e consegue tornar-se mensurável, e constituir-se em objeto de troca, debates e cooperação, pois representa o resultado de uma formulação mental, que vem a tona sem que necessariamente esteja concluída. Chegamos àquilo que podemos chamar de construção do saber, que é na verdade uma construção do sentido para o conteúdo adquirido.
Não se trata apenas de um processo de sentido único, que vai do pensamento à linguagem como uma simples tradução, pelo contrário, em geral, constatam-se defasagens entre o pensamento e suas formulações: ou a atividade da criança manifesta um estado de saber que ela ainda não consegue formular de forma adequada, embora a faça funcionar de forma operatória.
Não podemos pensar que exista uma significação exclusiva e primária para cada formulação enunciada, pois há uma dependência das condições intelectuais, sócio-culturais, e situacionais de quem participa de um processo de construção do saber, caracterizado como sentido,
Colocar a linguagem como ferramenta para construir o saber, posiciona a ação da escola e do professor como fundamentais para proporcionar a negociação de sentido, não só das palavras, mas também das ações educacionais e sociais consubstanciadas na prática. Para que o saber seja a desconstrução e reconstrução dos saberes existentes, para podermos adotar o saber convencionado como dinâmico e coletivo, “a convenção é um consenso em construção, provisório na maioria das vezes, nunca terminado.” (PASTOR,2002). Essa palavra, construída conjuntamente, e este saber centrado na participação ativa, dá as pistas de como favorecer a criança para ser um cidadão, não somente no futuro, mas a partir do hoje.

José

4 comentários:

  1. José é realmente fantástico, sábias palavras!

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  2. A construção de um saber é mais ou menos como a construção de um amor: parte de instâncias profundas e inesperadas, para chegar a níveis quase imperceptíveis e, ao mesmo tempo, elevadíssimos. Entretanto, hoje, tenho que me perguntar a esse respeito, pois perdemos de vista a suavidade do "ignorar", que não é não conhecer, não saber, não ter consciência de direitos e deveres, em um estado (supostamente) de Direito, como nos contaram após a Revolução Francesa; não é este o ignorar ao qual me refiro. Ignorar, para mim, é apenas desmentir o nosso pressuposto de um saber infinito que, na verdade, não há razão de existir, vista a finitude do ser humano. O saber humano, restrito, miserável, falível, causa de inúmeros conflitos, externos ao homem e dentro de seu coração... este saber humano hoje, para mim tem um valor incomensurável e, ao mesmo tempo, fica na banalização do nada, da aniquilação do ser e não ser, afirmando e desmentindo...

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  3. Muito bom, essa postagem abre espaço para muitas reflexões. Adorei.

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  4. Muito bom, essa postagem abre espaço para muitas reflexões. Adorei.

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